Semana passada assisti o filme Piratas do Vale do Silício, onde um pouco da história dos computadores pessoais é retratada.
Me senti um velho de 200 anos, pois eu me deparei com uma situação muito estranha: o meu primeiro computador foi um Apple II, onde no filme, praticamente ele foi o primeiro microcomputador pessoal produzido em larga escala (haja visto que o primeiro Apple era apenas uma caixa de madeira).
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Desde então uma coisa não me sai da cabeça: como o perfil do programador de computadores está mudando.
Antigamente nós não tínhamos nada. Nem mesmo utilidade para um computador pessoal. Na grande totalidade quem comprava um computador pessoal tinha que se virar para construir programas em Basic (ou assembly) e ser o próprio “mecânico” do seu equipamento.
Eu ainda me lembro da época em que eu era um dos pouco micreiros da cidade: sabe aquele cara que conserta computador em domicílio? Pois bem, eu já fui um destes, pois na minha cidade não existia lojas de informática especializadas no assunto.
O mais hirônico disto tudo é que eu acabei de completar apenas 28 anos (é pouco tempo em relação a tantos fatos “históricos”).
Mas, voltando ao assunto principal, nós, usuários-programadores tínhamos que conceber nossos próprios utilitários.
Depois disso começaram a aparecer aqui no Brasil micros mais “espertos” e com mais utilidades. Aí então, nós já tínhamos sistemas operacionais.
As pessoas começaram a achar utilidade para o computador pessoal no ambiente corporativo. E aquilo que somente as empresas gigantes conseguiam fazer com os seus main frames, passou a ser possível para as empresas menores.
Então, nós programadores, começamos a ganhar dinheiro com software (oba!). Nós éramos verdadeiros deuses da codificação. Nós transformávamos os sonhos das pessoas em realidade. Nesta época programar não era coisa para qualquer um. Saldosas linguagens como C e Clipper faziam sucesso. Nesta época 99,99% dos programadores programavam estruturado. Orientação à objeto era uma coisa que o pessoal da faculdade tentava melhorar para se tornar “usável”.
Com o passar dos tempos o tio Bill Gate$ conseguiu popularizar as GUIs (Interfaces Gráficas) com o seu maravilhoso Windows. Com isso qualquer um que conseguia operar com o mouse já conseguia entender o que se passava na frente da sua telinha.
Isso foi muito legal e muito ruim também. Muito legal porque o número de usuários de computadores pessoais aumentou absurdamente, fazendo com que a demanda de software aumentasse na mesma proporção. O problema é que o número de programadores picaretas também aumentou – tirando o espaço de quem queria trabalhar honestamente.
Após isto as linguagens de programação melhoraram muito e o nosso desafio como programadores era sair do mundo caracter para o mundo Windows. Tudo era diferente… desde a forma de programar até a forma de planejar o aplicativo. Antes o cliente ficava preso a uma tela até que o processo tivesse sido concluído, agora não, ele podia clicar em qualquer lugar da tela e usar um monte de coisas ao mesmo tempo. Nossa! Isso era um terror para os programadores. Ainda bem que conseguimos superar tudo isto.
Como se já não bastasse todos os problemas que enfrentávamos de trocar um ambiente mono-tarefa para um ambiente multi-tarefa e com uma ergonomia toda liberal… o mercado começou a dizer: comecem a programar orientado a objeto!!!
Caramba… sorte de quem conseguiu fazer tudo isso ao mesmo tempo. Os meus programas eram verdadeiros espaguetes orientados a objeto. Eu conseguia programar estruturado dentro de ferramentas que foram concebidas para utilizar orientação a objeto. Veja bem, isso não era uma vantagem… mas sim uma forma de conseguir trabalhar com o pouco conhecimento de orientação a objeto disseminado na época.
Com o amadurecimento (meu e da tecnologia) eu pude observar as verdadeiras vantagens de se programar orientado a objeto. E digo à vocês: é simplesmente fantátisco.
Bom, acho que este post já está gigante. Vou deixar para a parte II a explicação de onde eu quero chegar com todo este blá blá blá.
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